28 de fevereiro de 2011

Novo presidente Sebrae dará apoio integral às cadeias produtivas da agropecuária


O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, assumiu a presidência do Conselho Deliberativo Nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Na cerimônia de posse, ocorrida no dia 9 de fevereiro de 2011, em Brasília (DF), Simões destacou que o Sebrae terá que dar ainda mais atenção às pequenas empresas que compõem o setor agropecuário. 


"Sabemos da importância da agropecuária para o fortalecimento da economia do País e, mais do que isso, para assegurar a fartura na mesa dos brasileiros, o controle da inflação e a paz social. Por isso, vamos dar apoio integral às principais cadeias produtivas, tornando-as ainda mais competitivas para disputarem o mercado global", disse o novo presidente.

Roberto Simões afirmou, ainda, em seu discurso de posse, que há muito que se fazer às pequenas empresas para colocá-las em ambiente ainda mais favorável. "Para que isso aconteça depende, fundamentalmente, do esforço e do emprenho da nossa instituição para articular e mobilizar as forças políticas". 

Já o novo presidente executivo do Sebrae, Luiz Barretto, apresentou algumas metas para 2011 que farão parte da nova fase da instituição. "Neste ano, apostamos na formalização de outros 500 mil empreendedores, o que vai contribuir decisivamente para o crescimento e fortalecimento da economia brasileira, com a inserção de milhares e milhares de pessoas na economia formal. Também vamos investir continuadamente em nossos profissionais, dirigentes e conselheiros a partir da nossa Universidade Corporativa", afirmou.

Ao final da cerimônia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que participou da posse representando a Presidente da República, leu uma mensagem de Dilma Rousseff. "Gostaríamos de declarar o nosso reconhecimento pelo papel que o Sebrae tem desempenhado, de fundamental importância para o desenvolvimento do País. Esperamos que os novos dirigentes possam unir suas experiências em favor da instituição, trazendo um desempenho ainda maior. O Brasil precisa do Sebrae", disse. 

Na ocasião, o ex-presidente da instituição, Paulo Okamotto, transmitiu o cargo a Luiz Barretto, e Adelmir Santana a Roberto Simões, enquanto os diretores Carlos Alberto dos Santos (diretoria técnica) e José Cláudio dos Santos (diretoria de administração e finanças) foram reconduzidos às funções que ocupavam na gestão anterior.

Além da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, diversas autoridades participaram da cerimônia, como o ministro do Esporte, Orlando Silva, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia, e os governadores de Minas Gerais, Antônio Anastasia, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, além de embaixadores, senadores e deputados. 

Presentes ao evento 18 presidentes de Federações da Agricultura dos Estados do Acre, Alagoas, Amazônia, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Rio de Janeiro, Santa Catarina, além do vice-presidente da Federação do Paraná. 



24 de fevereiro de 2011

Crise nos países árabes provoca queda no preço de commodities

Conflitos estão causando migração dos investidores em mercados futuros de commodities agrícolas para energéticas derivadas do petróleo



Enquanto a Petrobras mantiver a política de segurar o repasse da alta do preço do petróleo no mercado internacional para o preço da gasolina, o impacto da disparada do barril, que atingiu US$ 111 no dia 23, pode trazer um certo alívio para inflação ao consumidor, segundo avaliação do economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor.

Ele sustenta esse raciocínio em uma tendência detectada nos últimos dias. Em função dos conflitos nos países árabes, está ocorrendo uma migração dos investidores em mercados futuros em commodities (matérias-primas) agrícolas para as commodities energéticas derivadas do petróleo (gás, diesel, gasolina, por exemplo).
Com isso, em 15 dias, os preços em dólar de vários alimentos recuaram. Desde o dia 9 de fevereiro até dia 23, o preço futuro da soja na Bolsa de Chicago caiu 10%, do trigo, 15%, do arroz, 17%. Na Bolsa de Nova York, o açúcar recuou quase 5% no mesmo período.
– Como as commodities agrícolas são um foco de pressão de preços no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a retração nas cotações pode ser positiva para a inflação, se a Petrobras continuar amortecendo a elevação da cotação do petróleo. O Brasil é um país de sorte –diz Daoud. 
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

21 de fevereiro de 2011

Colheita da soja no Paraná está prejudicada por excesso de chuva

Chuvas abundantes e frequentes estão dificultando a colheita de soja no Paraná. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura do Paraná, apenas 1% dos 4,5 milhões de hectares de soja foram colhidos até o momento. No entanto, 26% das lavouras já estão em fase de maturação, ou seja, são 1,2 milhão de hectares prontos para serem colhidos.
"Inclusive há registros pontuais de campos que estão sendo perdidos e deverão ser incorporados ao solo porque os grãos já perderam a qualidade industrial", relata Margorete Demarchi, Área de Conjuntura Agropecuária do Deral.
Na sua avaliação, as chuvas prejudicam a soja, mas interferem ainda no cultivo do milho safrinha. As chuvas que estão atrasando a colheita de soja, influenciaram inclusive a decisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em ampliar o prazo de plantio do milho safrinha nas principais regiões produtoras do Estado. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na último dia 16 de fevereiro, em forma de portaria ministerial e será válida para 10 ou 20 dias, dependendo do tipo de solo de cada município e do ciclo da cultivar a ser semeada.
"Percebemos que cada vez mais o produtor tem antecipado o cultivo da soja para, posteriormente, entrar com a segunda safra de verão, o milho safrinha", diz Margorete. Dados da Seab mostram que o histórico de cultivo de soja no Paraná sempre foi de cerca de 25% em outubro e quase todo o restante semeado em novembro. "Nesta safra, registramos 47% do cultivo em outubro. As regiões onde o produtor plantou mais cedo são as mais prejudicadas pelas chuvas: oeste e norte do Estado", avalia.
Além das perdas em quantidade, se as chuvas persistirem, o produtor de soja do Paraná poderá perder também em qualidade dos grãos. "O excesso de umidade pode aumentar o índice de grãos ardidos (infectados por fungos), a soja fica menos densa (peso menor) e pode ser maior o índice de acidez, o que significa que o óleo é de menor qualidade, além de ter a qualidade da proteína afetada", explica o pesquisador José de Barros França Neto, da Embrapa Soja.
As estações meteorológicas do Simepar mostram que em regiões importantes para a cultura da soja no Estado choveu, na primeira quinzena de fevereiro, mais que a média histórica do mês (situada entre 150 a 200 mm). Em Campo Mourão, choveu 207 mm; em Cascavel, 212 mm; em Maringá, 300 mm e em Toledo, 232 mm "A ocorrência de chuvas freqüentes e diárias é um dos fatores que está prejudicando a colheita", avalia, França Neto. "Os solos argilosos, comuns do Paraná, ainda apresentam um agravante, exigem entre 1 e 2 dias sem chuva para que as máquinas possam entrar na lavoura e iniciar a colheita", ressalta o pesquisador.

18 de fevereiro de 2011

Nova fronteira agrícola é destaque na produção

A nova fronteira agrícola conhecida como Matopiba, que compreende as regiões produtoras dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vem se destacando no mercado de grãos

MAPA - MINISTÉRIA DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


O clima estável, com regime de chuvas equilibrado, e a topografia plana do solo, característica do bioma cerrado, são apontados pelo gerente de Levantamento e Acompanhamento de Safras da Conab, Carlos Bestétti como pontos favoráveis ao desempenho da região. Segundo ele, a grande expansão aconteceu nos últimos dez anos pela influência de produtores vindos da região Sul do país, com uso de modernas práticas agrícolas, em busca de áreas mais extensas e baratas para produzir em larga escala.

“As boas perspectivas da região apontam para uma crescente produção nos próximos anos, devido à grande área de cerrado que, sem desobedecer à legislação ambiental, possibilita avançar para novos polos produtivos”, destaca o coordenador. Os agricultores podem aumentar a produção sem necessidade de desmatamentos em áreas frágeis, utilizando tecnologia moderna. Na safra 2009/2010, a região produziu cerca de 12,2 milhões de toneladas de grãos. A previsão para esta safra é de um aumento de 17%. Na área plantada, houve um aumento de 10% em relação à safra anterior. “Levando em consideração essa escalada de produção e a abertura de novas áreas, a tendência é o aumento da participação destes estados na produção nacional, que hoje é de 15 milhões de toneladas”.

Até pouco tempo, os estados do Maranhão, Piauí e Bahia, tinham praticavam a agricultura de subsistência, com exploração em pequenas áreas, sem uso de tecnologia. O cultivo da terra se caracterizava pelas práticas culturais básicas e sequenciais: roçar e cortar o mato, arar a terra, fazer a queimada e a semeadura. Raramente era utilizada adubação química. “Trata-se de uma exploração praticamente extrativista. Quando a terra fica esgotada é abandonada e nova área é arada e queimada”, explica Bestétti.

A chegada de produtores de outros estados, praticantes da agricultura empresarial, estimulou a abertura de grandes áreas disponíveis para plantio, com o uso de tecnologia de ponta. Foram justamente esses produtores que fizeram os estados do Maranhão, Piauí e Bahia alcançar destaque na produção nacional.

O estado de Tocantins teve características diferentes na sua colonização. Além da agricultura de subsistência, inicialmente, contou com ações inovadoras como o Projeto Rio Formoso. Implantado há mais de 30 anos com o apoio do governo federal, o projeto incentiva a produção de arroz irrigado. Na década de 1980, muitos produtores foram atraídos para a região devido ao apoio financeiro oferecido para a cultura. Com a disponibilidade de terra, água, tecnologia e recursos financeiros, os agricultores migraram para o estado. A produção deu um grande salto e novos investidores foram atraídos pelo sucesso dos primeiros.

Infraestrutura

O agronegócio da Matopiba também foi favorecido com a inauguração da Eclusa do Tucuruí, no Rio Tocantins, em novembro de 2010. “A região tem deficiência de infraestrutura para o escoamento de grãos, principalmente a soja, e a hidrovia do Rio Tocantins surgiu como uma solução”, ressalta o coordenador de Serviços de Infraestrutura Rural, Logística e Aviação Agrícola do Ministério da Agricultura, Carlos Alberto Nunes.

O potencial de transporte hidroviário na área pode chegar a 18 milhões de toneladas, com outras alternativas em andamento, como a construção da Ferrovia Norte-Sul, da eclusa de Lageado (Tocantins) e a execução do projeto da eclusa de Estreito, na divisa de Tocantins com o Maranhão. “Tudo isso, alia à adequação e ampliação dos portos de Vila do Conde e Outeiro (Belém-PA) e Itaqui (São Luís-MA), vias naturais de exportação dos produtos da região, irá favorecer ainda mais o desenvolvimento da região”, diz.

Para vencer um desnível que chega a 75 metros, Tucuruí conta com duas eclusas, separadas por um canal intermediário de 6 km de extensão. O investimento total do governo federal foi de R$ 1,6 bilhão. As eclusas foram dimensionadas para a movimentação de embarcações com cargas de grandes volumes, como graneis agrícolas. “É o primeiro passo para melhorar a navegabilidade do rio, criando a opção desse novo modo de transporte para reduzir o custo logístico no escoamento da crescente produção da região”, ressalta o coordenador.

Desde o último mês de janeiro, as eclusas se encontram em fase de testes e têm previsão de entrada em operação a partir de março. Entretanto, os produtores de grãos devem esperar a adequação dos portos de Vila do Conde e Outeiro, no Pará, para usufruírem da redução de até 15% no custo do frete. A expectativa é de que isso já seja possível na safra de 2011/2012.
No futuro, com a conclusão das eclusas de Estreito e Lageado, o trecho navegável do rio Tocantins será ampliado para 1,5 mil km. “As obras permitirão o aumento da produção de grãos (soja e milho) em diversos municípios, mediante a conversão de áreas de pastagem sem novos desmatamentos, o que representará mais um grande passo a favor do agronegócio brasileiro”, finaliza o coordenador.



14 de fevereiro de 2011

A pesquisa e a capacidade brasileira de gerar alimentos

Mas que tipo de tecnologias ajudarão o agricultor a produzir mais e permitirão aumentar o acesso da sociedade a maior volume de alimentos e de melhor qualidade?



A ameaça de um desastre no abastecimento mundial de alimentos está afastada, pelo menos nesta mudança de século. Embora algumas regiões do planeta apresentem um quadro endêmico de fome, isto ocorre muito mais por problemas de distribuição de renda do que pela falta de alimentos. As diversas hipóteses de falta de alimentos provocadas pelo esgotamento dos recursos naturais, principalmente terra, e pelo crescimento populacional não se concretizaram pelo trabalho persistente na geração e adoção de tecnologias mais eficientes de produção, que permitiram multiplicar por algumas vezes a produtividade de grãos e frutas, e melhorar significativamente a taxa de conversão na produção de proteínas animais. Mesmo com o crescimento populacional projetado para as próximas décadas, as recentes descobertas científicas na área de biologia avançada permitem prever que a implementação de novas tecnologias possibilitará o aumento da oferta de alimentos, sua diversificação e redução de custos.
Mas que tipo de tecnologias ajudarão o agricultor a produzir mais e permitirão aumentar o acesso da sociedade a maior volume de alimentos e de melhor qualidade?
As tecnologias mais promissoras, capazes de modificar a natureza, estão relacionadas à biotecnologia, principalmente com a engenharia genética. Elas mudam as vantagens competitivas porque podem fazer com que uma determinada planta produza em uma área gelada ou em uma área seca como o Nordeste. Sua particularidade é a modificação de organismos vivos, plantas e animais, agregando características distintas das originais. São tecnologias que contribuem para o aumento da produtividade, redução de custos de produção e adequação de produtos às exigências dos consumidores e para a implantação de sistemas produtivos ambientalmente sustentáveis. Os ganhos a serem obtidos pela engenharia genética irão se concentrar no melhoramento genético de plantas e animais, nutrição e sanidade. Existem no mundo, atualmente, dezenas de variedades de alimentos transgênicos. As culturas mais contempladas são a soja, milho, algodão e canola. O Brasil já começa a realizar os primeiros experimentos nesta área, que promete grande contribuição na geração de alimentos.
Outro conjunto de tecnologias que prometem revolucionar a agricultura está relacionado à redução do risco, como perdas de recursos pelo uso inadequado de insumos e contaminação ambiental. Tecnologias acopladas à agricultura de precisão, por meio de sensoreamento remoto, permitem uma alocação ótima de insumos de acordo com as exigências das culturas e necessidades do solo. Máquinas sofisticadas podem reduzir as perdas nas colheitas para níveis insignificantes, poupando produtos anteriormente desperdiçados. Tecnologias de irrigação, com doses ótimas de água, eliminam o risco de perdas de safras, principalmente em regiões de clima seco, como é o nosso Nordeste.
O terceiro grupo de tecnologias promissoras está ligado à agregação de valor aos produtos agropecuários. São relacionadas com o processamento de alimentos, embalagem e qualidade. A própria biotecnologia moderna contribui por meio de novos processos agroindustriais, como produtos fermentados. A agregação de valor aos produtos primários aumenta a renda no campo, gera empregos e contribui para o desenvolvimento do interior do País.
O quarto grupo indica que o setor agropecuário será ainda favorecido com a aceleração do sistema de acesso e transmissão de informações. Tecnologias agropecuárias e informações de mercado começam a chegar em tempo real aos produtores rurais, permitindo racionalização nas culturas e criações, decisões rápidas quanto ao plantio de culturas e sua comercialização. A utilização da Internet, em poucos anos se tornará, nos mais remotos recantos do País uma ferramenta para obtenção de informações sobre pesquisas recentes ou orientações de técnicos. A fluidez das informações contribuirá para eliminar irracionalidade nos diferentes elos das cadeias produtivas, como intermediações desnecessárias; podendo trazer ganhos para os produtores, que passarão a comprar os insumos em melhores condições e a vender na hora certa a produção.
O Brasil têm recursos humanos capacitados para gerar as tecnologias que vão definir as vantagens competitivas da agricultura mundial. Também é capaz de competir em igualdade de condições com qualquer país, em qualquer área do negócio agrícola. Por isso, os investimentos em pesquisa precisam não apenas continuar, mas ser incrementados. Os países competidores no mercado de alimentos, ao mesmo tempo que cada vez mais investem em ciência, têm menor interesse em repassar tecnologias de ponta. O Brasil se credenciou como o País de maior competência na geração de tecnologia agropecuária para os trópicos e em praticamente todas as áreas vitais da produção agropecuária e florestal. Se isso faz com que o brasileiro fique tranqüilo quanto a nossa atual capacidade de gerar alimentos, deve também ser um estímulo ao incremento dos investimentos na busca de soluções para a alimentação de nossa população e de alternativas para ampliar as exportações.

10 de fevereiro de 2011

Carne de frango: principais mercados do Brasil em 2010 pela receita cambial


Os dados da SECEX/MDIC sobre os maiores importadores da carne de frango in natura em 2010 apontam que não houve alteração de posição entre os seis principais clientes do produto brasileiro: Arábia Saudita, Japão (com diferença mínima em relação ao primeiro colocado), Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Venezuela e Kuwait mantiveram as mesmas posições de 2009.

Já na sétima, oitava e nona posições surgem Rússia, China e Egito, países que no ano retrasado se colocaram em posições inferiores.

Em conjunto, os 10 principais importadores absorveram praticamente 70% da carne de frango in natura exportada pelo Brasil. (Fonte)

Fonte: NewsComex

7 de fevereiro de 2011

Com preço alto, café se destaca nas exportações agropecuárias

As exportações agropecuárias do Brasil se diversificaram bastante nos últimos tempos, deixando o país menos dependente dos embarques de café, como ocorria no passado. Mas em janeiro, em meio a preços elevados no mercado internacional e à entressafra de alguns produtos, as receitas obtidas com a tradicional commodity brasileira ganharam destaque.

No mês passado, em um período de menor oferta de produtos como a soja, o café teve o melhor desempenho em receita observando as commodities agrícolas isoladamente, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta terça-feira.
As vendas de café verde do país atingiram 526,7 milhões de dólares em janeiro, alta de 74 por cento ante o mesmo período do ano passado, com as receitas superando as obtidas com os embarques de carne de frango (504 milhões de dólares), soja em grão (107,1 milhões de dólares) e açúcar bruto (500 milhões de dólares).
Entretanto, quando se soma açúcar bruto com o produto refinado, e também as exportações de etanol, o setor sucroalcooleiro passa a liderar as vendas em janeiro, com quase 800 milhões de dólares de exportações.
E isso só acontece também porque o complexo soja, tradicional líder da pauta do agronegócio, está em baixa nesse período de entressafra. Mesmo assim, a oleaginosa (incluindo grão, farelo e óleo) registrou vendas de 582 milhões de dólares no mês passado.
VOLUMES

Em janeiro, o Brasil exportou 2,58 milhões de sacas de 60 kg de café, cerca de 500 mil sacas acima das verificadas no mesmo mês do ano passado, quando a receita foi de 322 milhões de dólares --os preços futuros do café estão nos maiores níveis em mais de 13 anos na bolsa de Nova York, o que também colabora para o bom desempenho em dólares do setor.
Em dezembro, quando o Brasil embarcou um recorde superior a 3 milhões de sacas, as vendas externas somaram 631 milhões de dólares.
Já os embarques de açúcar (bruto e refinado) registraram queda de cerca de 500 mil toneladas em relação a janeiro de 2010, somando 1,29 milhão de toneladas no mês passado.
Os embarques de açúcar arrefeceram em janeiro após registrarem recordes em vários meses do ano passado, diante da forte demanda internacional pelo produto brasileiro. Agora o setor sucroalcooleiro também está na entressafra no centro-sul do país, a principal região produtora.

3 de fevereiro de 2011

Preço do boi deve seguir sustentado

Cenário de alta em 2011 é atribuído à retomada da demanda nos mercados externos e ao aumento dos custos de produção


Por Gustavo Porto
Analistas de mercado apostam em um cenário altista para a arroba do boi gordo em 2011. A pressão vem da retomada da demanda nos mercados externos e do aumento dos custos de produção ? com a possível quebra da safra argentina e a manutenção dos subsídios ao milho norte-americano para a produção de etanol.
Nilton Fukuda/AE
Previsão. Preço não cai mesmo com maior oferta de animais
Nesta semana, consultoria argentina reviu para baixo sua estimativa para a safra de soja em 7,5 milhões de toneladas.

Além disso, a demanda interna pela carne bovina segue firme, mesmo com a disparada nos preços no varejo no fim do ano. Na última semana do ano, a demanda aquecida pela carne bovina no atacado dava sustentação aos preços de todos os cortes.
Já os frigoríficos aproveitaram a menor atividade no período de festas para pressionar os preços da arroba. Como conseguiram ampliar as escalas de abate até esta semana, esperam um aumento da oferta e preços mais fracos nos primeiros dias de 2011.
"Tudo indica que haverá aumento da oferta, com o gado mais gordo e um maior volume de negócios em janeiro, mas isso não significa que os preços irão despencar", disse a analista Maria Gabriela Tonini, da Scot Consultoria.
O indicador do boi gordo Cepea/Esalq fechou dezembro em R$ 104,60 a arroba no preço à vista. O valor a prazo ficou em R$ 105,58 a arroba. Na BM&F, o contrato dezembro encerrou a R$ 105,01.