27 de abril de 2011

Estimativa final da safra 2010/2011 dos grãos de verão do RS é divulgada


Estimativa final da safra 2010/2011 dos grãos de verão do RS é divulgada

O secretario do Desenvolvimento Rural do RS, Ivar Pavan, juntamente com o presidente da Emater/RS, Lino de David, e diretor técnico da Instituição, Gervásio Paulus, apresentou à imprensa dia 20 de março a estimativa para a safra 2010/2011 dos principais grãos de verão no Estado. Conforme os levantamentos da Instituição, o balanço total final é de 25,5 milhões toneladas, cerca de 2,5 milhões a mais que a safra anterior.

Esta produção está distribuída em 8,6 milhões toneladas de arroz, 132 mil de feijão, 5,4 milhões de milho e 11,2 milhões de soja. A Emater ainda fez um cálculo baseado no preço médio de abril das culturas, que resulta em uma renda de R$13,8 bilhões injetada na economia gaúcha.

Segundo o secretário Ivar Pavan, a maior safra da história que havia sido anunciada no RS foi em 2010 com 23,09 milhões toneladas de grãos, o que significa aumento de 10,6% neste ano. “A previsão anunciada em fevereiro foi de 23,609 milhões de toneladas, 600 mil a mais que o ano passado. Superamos esta primeira estimativa pois 40% da safra de soja ainda estava em floração na época”, completa. Pavan ainda ressalta que houve um período de estiagem na região Sul que poderia se espalhar para outras regiões, mas “como a seca ficou restrita a poucos municípios, a produção se confirmou maior”.


O destaque é para o arroz, que teve um aumento de área, produção e produtividade, resultando em 1,8 milhões de toneladas a mais que o ano anterior. Todavia, estes números positivos diminuem o preço da saca, que cai em média para R$19,64. Já o milho teve uma redução de área e de produção. “Devido à previsão do efeito La Niña e do preço baixo do grão no ano passado, o produtor diminuiu a área de milho e aumentou a área de soja, que é mais resistente e estava com preço bom”, explica o secretário.

Quanto aos próximos anos, devido às novas tecnologias que os produtores vêm adotando, há condições para o aumento da produtividade. Entretanto, com exceção do arroz, que é irrigado, as demais culturas ainda dependerão das condições meteorológicas. Para tanto, Pavan diz que há programas que estão sendo desenhados para aumentar a irrigação em algumas culturas, mas que mesmo assim não haverá água suficiente para irrigar toda a lavoura gaúcha. 


Valor gerado pela produção dos principais grãos no RS

Produção (t)
R$/sc*
Valor R$
Arroz
8.695.931
19,64
3.415.761.696,80
Feijão
132.513
71,00
156.807.050,00
Milho
5.491.582
24,46
2.238.734.928,67
Soja
11.220.238
42,75
7.994.419.575,00
TOTAL
25.540.264

13.805.723.250,47
Fonte: Emater/RS-Ascar
* preços médios referentes às culturas (média do mês de abril/2011)



Fonte: Agrolink
Autor: Joana Pretto Cavinatto

18 de abril de 2011

Venda de milho cresce 27% em volume e 60% em receita

São Paulo - A exportação de milho, em volume, cresceu 27% em março em comparação ao mesmo mês do ano passado no Brasil. Já a receita apurada foi 68% maior. O principal fator que provocou o aumento nas exportações de milho foi o baixo estoque apresentado no mercado mundial, sobretudo o norte-americano. O analista de mercado Antonio Sartori explica que os estoques internacionais estão baixos principalmente pela velocidade do aumento do consumo ser maior que a velocidade no aumento da produção. Eles estão com o menor estoque desde 1936. Mesmo que os americanos consigam colher esta safra recorde, ainda vão continuar com estoque baixo até o final do ano.

12 de abril de 2011

Fruticultura espera fôlego, mas problemas persistem

Andrielle Mendes – Repórter
O fruticultor potiguar não vai encontrar um cenário muito favorável na próxima safra. O mercado consumidor  continua retraído, o dólar baixo, e as pragas, ávidas por consumir toda a produção. Em 2010, o setor amargou queda na exportação de praticamente todas as frutas frescas, com exceção da manga. Em 2011, apesar do cenário ainda desfavorável, a exportação deve ter uma leve alta, segundo o economista Naji Harb, da Universidade Ottawa, Canadá e consultor na área de agronegócios e assuntos internacionais. Segundo ele, a Europa, continente que compra 99% das frutas potiguares, já dá sinais da recuperação. 
júnior santos

As vendas de melão para o mercado externo estão entre as que declinam no Rio Grande do Norte
Segundo Francisco Vieira da Costa, diretor da Coopyfrutas (cooperativa que reúne fruticultores de Mossoró e  do entorno), a exportação da safra junho 2010/maio 2011 caiu 18% em relação a safra junho 2009/maio 2010. A queda da exportação também foi reflexo de uma maior incidência de chuvas de dezembro a fevereiro. Neste período, choveu mais que o esperado para o inverno inteiro. Em decorrência de todos estes fatores, o setor enfrenta uma crise momentânea. Seu desempenho dependerá da resposta de seu principal consumidor, a Europa, e da entrada em novos mercados. “Não acredito que vai ser um ano muito bom. O cenário ainda será desfavorável”, afirma. 

A solução, segundo ele, é aumentar o consumo interno.  Hoje, o mercado nacional absorve 30% da produção potiguar. Há cinco anos, absorvia apenas 20%.  

A questão cambial (dólar barato e real caro) agrava o cenário para o setor lá fora. Os fruticultores vendem em dólar e compram em real, isto está minando a capacidade de reinvestir no negócio, afirma o diretor da Coopyfrutas. 

O descumprimento da Lei Kandir, do governo federal, que obriga o estado a reembolsar os fruticultores, devolvendo os impostos pagos na exportação, agravam ainda mais o cenário. Os fruticultores do Ceará, por exemplo, não pagam ICMS, e, por isso, praticam preços mais competitivos que o RN. 

Não bastassem a falta de apoio governamental e a crise enfrentada pelo principal consumidor, o setor ainda tenta se proteger da ameaça das pragas: mosca branca, minadora e a virose do pulgão, que com poucas picadas pode eliminar uma lavoura. 

Importações
Para tentar equilibrar os custos, fruticultores estão importando mais embalagens de papel, papelão, adubos e fertilizantes que registraram alta superior a 100%. “Eles estão importando para se manter no negócio. A preocupação não é mais ganhar dinheiro, mas se manter no mercado”, afirma Vieira. Segundo o economista Naji Harb, a importação de insumos traz uma redução de até 20% no custo dos fruticultores. “Os produtores/empresas acharam esta solução e mudaram sua modalidade de compra. Antes compravam esses mesmos produtos em outros estados. Agora compram os produtos fora do país”, afirmou.

 Naji Harb » Economista
Como está a fruticultura local no que diz respeito a produção e exportação?
A fruticultura no RN tem grande potencial para crescimento. As condições climáticas (sol brilhante e solo fértil) ajudam na produção de uma grande variedade de frutas. Além disso, os produtores potiguares são inovadores, sempre estão buscando novas técnicas e certificações para atender as mais rígidas exigências do mercado nacional e internacional. 

Como o senhor avalia o momento vivido pela fruticultura local?
A demanda no mercado nacional e internacional é crescente. Naturalmente o ritmo é lento pois o mercado está em fase de recuperação da crise econômica na Europa, que até o momento é o maior mercado para o melão e outras frutas do estado do RN.

Isto traz prejuízos ao estado ou poderá ser superado sem muita dificuldade?
Achando-se uma solução para os problemas enfrentados pelos produtores e empresas que atuam no setor, o estado será beneficiado como um todo. Investimentos na infra-estrutura portuária e incentivos fiscais garantem a permanência dos investimentos no setor dentro do estado do RN e ajudam na criação de empregos, resultando no crescimento econômico do estado.

Como o senhor avalia a safra atual?
Foi uma safra normal. As frutas exportadas para Europa, especificamente o melão, tiveram uma aceitação muito boa pelo mercado, por causa do alto nível de qualidade. Mas sempre tem alguns obstáculos. Este ano, por exemplo, houve atraso na entrega de caixas por alguns fabricantes de papelão, deixando alguns produtores com grandes prejuízos, tipo de problema que não poderia ocorrer. 

O que espera em 2011? 
A safra para o mercado exterior deve ter leve alta por causa dos pequenos sinais da recuperação  de alguns membros da comunidade Europeia. Também temos expectativas de aumentar as vendas no mercado nacional. Através de eventos como Expofruit e rodadas de negócios realizadas pelo Sebrae RN, os produtores podem se encontrar com compradores para ampliar suas vendas.

Expofruit ajuda a expor produtos e problemas do setor
A Expofruit 2011, Feira Internacional de Fruticultura Irrigada, que será lançada hoje em Mossoró, é uma das formas de dar mais visibilidade aos problemas enfrentados pelo setor, na avaliação de Francisco de Paula Segundo, presidente do Coex. De acordo com ele, eventos como a Expofruit podem alavancar o setor, gerando oportunidades de negócios para grandes, médios e pequenos fruticultores. O ministro  da Agricultura será convidado para participar da feira e conhecerá a realidade da fruticultura local. Assim como a cadeia produtiva do leite, a fruticultora é um dos setores que mais gera empregos e contribui para permanência do homem  no campo. O setor emprega 15 mil pessoas e pode gerar mais de 70 mil empregos indiretos. Segundo Francisco de Paula, alguns fruticultores estão atravessando a divisa do Ceará e deixando o RN. “É porque o empresário vai para o Ceará? Porque lá o que ele gasta em  exportação, recebe de volta. O imposto é devolvido através da lei Kandir. No Ceará, isso é norma. No RN, não”. Essa medida, segundo Francisco, aumentaria a competitividade no estado e seguraria o fruticultor no estado. 



11 de abril de 2011

China pode liberar compra da carne suína brasileira

Confirmação deverá ocorrer durante a visita da presidente Dilma Rousseff ao país asiático, em abril

por Agência Estado


O Brasil poderá conseguir a abertura do mercado da China para exportações de carne suína durante a visita que a presidente Dilma Rousseff fará ao país asiático em meados de abril. Se conseguirem o sinal verde para os embarques, os produtores brasileiros esperam abocanhar metade das importações chinesas dentro de três anos, o que seria equivalente a US$ 500 milhões a preços e quantidades atuais. 

A China é o maior consumidor de carne suína do mundo, responsável por metade da demanda. Mas quase todo o consumo de 50 milhões de toneladas é suprido pela produção local. Ainda assim, o país deverá importar 480 mil toneladas em 2011, segundo previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que prevê alta de 15% em relação ao ano passado. 

Na próxima semana, a missão do Ministério da Agricultura chegará a Pequim para tentar concluir a negociação. Já existe o acordo para a venda de carne suína, mas a China ainda não credenciou os frigoríficos que podem exportar ao país, disse o adido agrícola do Brasil em Pequim, Esequiel Liuson. 

No ano passado, o Brasil apresentou uma lista de 26 plantas para serem habilitadas. Os chineses visitaram 13 delas em novembro, mas falta a chancela oficial para que elas iniciem os embarques. Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), prevê que o credenciamento das plantas poderá ser anunciado durante a visita de Dilma. As importações do país asiático são mínimas quando comparadas ao consumo doméstico. Ainda assim, a China foi o quinto maior importador em 2010, com compras um pouco superiores a 400 mil toneladas.

7 de abril de 2011

Brasil perde 4% da soja na colheita

VALOR ECONÔMICO
Levantamento realizado pela Agroconsult revela que quase 3 milhões de toneladas de soja sequer saem das lavouras brasileiras. O volume de grão é literalmente perdido durante o processo de colheita da oleaginosa e equivale a 4% da produção nacional de soja. Nesse valor não são consideradas as perdas que ocorrem durante o processo de transporte da safra, seja para os silos das tradings, seja para os portos com destino ao mercado externo. Considerando os atuais preços praticados nas regiões, as perdas nas colheitas equivalem a mais de R$ 115 milhões que deixam de ir para o caixa do produtor. Apesar de a média nacional de perdas ser de 4%, as regiões Norte e Nordeste são as que apresentam os piores resultados, com 4,9% da produção ficando na lavoura. 
Diferentemente das expectativas, o Sul, onde estão localizadas as máquinas mais antigas em operação, é a região onde as perdas são menores, 3,4% da produção. "Antes de fazer o levantamento, nossa estimativa era que as perdas na colheita fossem qualquer coisa entre 5% e 8% da produção. O levantamento indicou que 4% ficam na lavoura, mas esse ainda é um percentual muito elevado", afirma André Pessôa, diretor da Agroconsult. Ele lembra que, em uma colheitadeira bem regulada, operando na velocidade recomendada e seguindo as orientações do fabricante, as perdas durante a colheita não poderiam superar 0,5%. A análise foi feita a partir dos dados coletados durante os quase três meses que o Rally da Safra percorreu onze Estados para levantar a campo as condições das lavouras de soja e milho do país. Os dados finais foram apresentados ontem, em São Paulo, e indicam que a produção brasileira de soja no ciclo 2010/11 alcançará um novo recorde, 72,7 milhões de toneladas. O volume é 5,4% superior ao registrado na safra passada. Segundo Pessôa, as perdas em decorrência de adversidades climáticas, como a La Niña, foram menores que o esperado, especialmente na região Sul. "Os produtores gaúchos anteciparam o plantio, fazendo com que o período de enchimento de grãos acontecesse antes do pico da estiagem, que ocorre em março", disse. No caso do milho, a expectativa para o ciclo atual é de uma produção de 34,8 milhões de toneladas para a safra de verão, desempenho 2,2% superior ao registrado no ano passado. A safra maior se deve principalmente ao ganho de produtividade obtido pelo uso de sementes de melhor padrão tecnológico. Segundo a Agroconsult, a média nacional foi de 4.518 quilos por hectare, sendo que no Paraná, a média foi de 7.884 quilos. "Já não identificamos mais lavouras de baixo padrão tecnológico. Hoje só existe de alto e médio padrão, sendo que esse segundo já está em fase de extinção", diz Pessôa. Segundo o consultor, já não é raro encontrar lavouras de milho com rendimentos de 12 mil quilos por hectare.

4 de abril de 2011

Febraban propõe mudar crédito rural

Entre as propostas, a representante dos bancos privados sugere unificar limite de custeio e comercialização


Venilson Ferreira - O Estado de S.Paulo

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) encaminhou neste mês ao Ministério da Agricultura várias propostas de mudanças nas normas do crédito rural, para tornar ágil a aprovação dos financiamentos e elevar o volume de recursos dos bancos privados para o agronegócio. A instituição propõe que as mudanças sejam postas em prática já em 2011/2012.
Segundo o assessor técnico da Febraban, Ademiro Vian, neste ano os bancos privados devem alocar R$ 30 bilhões para o agronegócio, 25% mais que os R$ 24 bilhões do ano passado. Os recursos vêm da exigibilidade bancária, e correspondem a 25% do saldo dos depósitos à vista.
Uma das alterações propostas é o estabelecimento do limite de R$ 1,3 milhão por beneficiário no caso dos financiamentos para custeio da safra e de apoio à comercialização, feita por meio de operações de Empréstimo do Governo Federal (EGFs). Atualmente os limites variam de acordo com o tipo de produto. No caso de algodão e milho, o limite é de R$ 650 mil e, no leite, R$ 275 mil.
Menos custo. Vian diz que a unificação do limite pode reduzir os custos, pois o produtor não precisará realizar mais de uma operação de financiamento. Atualmente, diz, o produtor é obrigado a recorrer a outras fontes, a custos mais altos, para cobrir a despesa da atividade.
Pela proposta, caberá ao banco analisar a capacidade de pagamento do tomador, levando em conta o limite de R$ 1,3 milhão. No caso do crédito de investimento, o limite seria de R$ 1 milhão, independentemente do tipo de atividade.
A Febraban também propõe que o conceito de integração para efeito da concessão do crédito, aplicado à avicultura, suinocultura e produção de fumo, seja estendido a atividades, como leite, pimenta-do-reino e tomate. A entidade quer unificar os limites por "parceiro" para R$ 100 mil. A entidade dos bancos privados apresentou, ainda, duas propostas que podem melhorar a disponibilidade de capital de giro para as agroindústrias e dar condições ao agricultor de ter acesso a recurso para segurar a produção.
Uma delas é o aumento do limite de crédito de comercialização para agroindústrias e unidades de beneficiamento ou industrialização não vinculadas a cooperativas de produtores, que passaria de R$ 30 mil para R$ 50 mil. A outra é a elevação do limite de desconto da Nota Promissória Rural de 7% para 15% dos recursos da exigibilidade.
Em relação ao limite para as agroindústrias, Vian diz que o valor atual é baixo para atender à necessidade de capital de giro das empresas, que optam por procurar outras fontes de recursos. Quanto à elevação do limite de desconto da NPR, ele diz que as aplicações de curto prazo no apoio à comercialização, entre 60 a 120 dias, permitem o retorno do capital em tempo hábil para atender à demanda pelas operações de custeio da safra. A Febraban também cobra do governo a regulamentação do Fundo Garantidor do Agronegócio, lembrando que há aporte no orçamento da União de R$ 100 milhões, "mecanismo importantíssimo para evitar problemas com renegociações de dívidas futuras", diz.